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Mulher também infarta? Ela infarta diferente?

Foto do escritor: Dra Priscila Mimary
Dra Priscila Mimary
16 de set.
5 min de leitura

A dor no peito não é o único sinal de infarto - e, quando ela não aparece da forma esperada, muitas mulheres podem demorar a reconhecer a gravidade do que está acontecendo. A pergunta “mulher também infarta? Ela infarta diferente do homem?” merece uma resposta clara: sim, mulheres infartam, e os sintomas podem se manifestar de maneira menos reconhecida, embora a dor ou pressão no peito continue sendo frequente.

Essa diferença não significa que exista um “infarto feminino” completamente separado do masculino. O que existe é uma combinação de fatores biológicos, hormonais, sociais e clínicos que pode dificultar o diagnóstico e retardar a procura por atendimento. Por isso, conhecer os sinais e avaliar os riscos de forma individualizada é uma medida concreta de prevenção.


Mulher também infarta? Ela infarta diferente do homem?


O infarto agudo do miocárdio acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente pela obstrução de uma artéria coronária. Sem oxigênio, as células do coração começam a sofrer lesão. É uma urgência médica, para mulheres e homens.

Nas mulheres, a apresentação pode ser mais variável. A dor, aperto, peso ou queimação no centro do peito pode irradiar para braço, ombro, costas, pescoço, mandíbula ou parte alta do abdome. Mas algumas pacientes descrevem principalmente falta de ar, suor frio, enjoo, tontura, palpitações, fraqueza intensa ou uma fadiga súbita e desproporcional.

Esses sintomas não são exclusivos das mulheres, nem toda mulher terá manifestações diferentes. Também não devem ser confundidos com sinais leves ou menos importantes. Uma indisposição aparentemente digestiva, por exemplo, pode ser refluxo, ansiedade ou algo alimentar, mas, se vier acompanhada de mal-estar intenso, falta de ar, pressão torácica ou piora ao esforço, precisa ser levada a sério.

Outro ponto relevante é que muitas mulheres foram ensinadas, direta ou indiretamente, a suportar desconfortos e cuidar de todos antes de cuidar de si. Elas podem atribuir sintomas ao estresse, à menopausa, à ansiedade ou ao cansaço da rotina. Essas hipóteses às vezes fazem sentido, mas não devem ser usadas para descartar uma causa cardiovascular sem avaliação médica.

Quais sinais exigem atendimento imediato?

Procure atendimento de urgência ou acione o SAMU pelo 192 diante de dor, aperto ou pressão no peito que persista por alguns minutos, apareça e desapareça, ou venha com falta de ar, suor frio, náusea, desmaio, confusão mental ou sensação de morte iminente.

Em mulheres, também merecem atenção uma exaustão abrupta e incomum, dor forte nas costas, no pescoço, na mandíbula ou no estômago, especialmente se associadas a mal-estar, tontura ou dificuldade para respirar. Não é seguro dirigir sozinha até o hospital ou esperar “passar” para ver se melhora.

O eletrocardiograma, os exames de sangue e a avaliação presencial são fundamentais para diferenciar infarto de outras causas de sintomas. Pela internet ou apenas pela descrição de uma dor, não é possível excluir um evento cardíaco. Na dúvida, a conduta mais prudente é procurar urgência.

Por que o risco cardiovascular pode ser subestimado?

Durante a fase reprodutiva, o estrogênio exerce alguns efeitos protetores sobre o sistema cardiovascular. Depois da menopausa, porém, o risco de doença arterial coronariana aumenta progressivamente. Isso não quer dizer que mulheres jovens estejam protegidas: elas também podem infartar, sobretudo na presença de fatores de risco ou condições específicas.

Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade abdominal, apneia do sono e histórico familiar de infarto precoce aumentam o risco. Em mulheres, algumas situações merecem uma conversa ainda mais cuidadosa com o médico, como síndrome dos ovários policísticos, endometriose, doenças autoimunes, enxaqueca com aura, depressão, ansiedade persistente e uso de tabaco associado a anticoncepcionais hormonais.

A história gestacional também oferece informações valiosas. Pré-eclâmpsia, hipertensão na gestação, diabetes gestacional, parto prematuro e perdas gestacionais recorrentes podem sinalizar maior risco cardiovascular futuro. Não são uma sentença, mas indicam a necessidade de acompanhamento preventivo consistente.

Além da obstrução clássica por placas de gordura, algumas mulheres podem ter outras formas de doença cardíaca. Entre elas estão alterações da microcirculação do coração e, mais raramente, a dissecção espontânea de artéria coronária, quando ocorre uma lesão na parede da artéria. Esses quadros reforçam por que sintomas compatíveis com isquemia merecem investigação mesmo quando a pessoa não corresponde ao estereótipo de quem “parece ter risco”.

Ansiedade, cansaço ou coração: por que não se deve adivinhar

Ansiedade pode causar palpitações, aperto no peito, respiração curta, tremor e sensação de desmaio. Refluxo pode provocar queimação retroesternal. Alterações musculares podem gerar dor no tórax. Ao mesmo tempo, um infarto também pode vir acompanhado de medo intenso, náusea ou desconforto pouco específico.

A diferença não deve ser definida apenas pela intuição. Quando o sintoma é novo, intenso, piora com esforço, ocorre em repouso sem explicação clara ou se associa a falta de ar e mal-estar, é preciso excluir causas cardíacas. Depois de afastada uma urgência, investigar ansiedade, sono, alimentação, hormônios, anemia, tireoide e outras possibilidades pode fazer parte de um cuidado amplo e bem conduzido.

Eu não trato exames, eu trato pessoas. Isso significa ouvir como o sintoma começou, em qual contexto aparece, o que o piora, quais são os antecedentes familiares e quais mudanças ocorreram no corpo e na rotina. Um exame isolado normal não invalida o que a paciente sente, assim como um sintoma não deve receber automaticamente uma explicação emocional.

Prevenção não é fazer exames sem critério

Prevenir infarto não depende de uma fórmula única ou de uma lista infinita de suplementos. Depende de identificar o risco real de cada pessoa e agir sobre os fatores modificáveis. Para algumas pacientes, o foco inicial será controlar a pressão arterial. Para outras, será tratar diabetes, interromper o cigarro, rever o sono, recuperar condicionamento físico ou ajustar uma alimentação possível dentro da própria rotina.

A atividade física regular protege o coração, mas precisa respeitar idade, histórico clínico, sintomas e condicionamento. Alimentação adequada também não é sinônimo de restrição extrema: o objetivo é construir um padrão sustentável, com mais alimentos in natura, fibras e fontes de gorduras de boa qualidade, e menos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e álcool.

O acompanhamento médico permite avaliar pressão, glicemia, perfil lipídico, circunferência abdominal, peso, medicamentos em uso e antecedentes pessoais e familiares. Quando há indicação, exames complementares ajudam a esclarecer o risco. Quando não há, pedir testes aleatoriamente pode gerar ansiedade e achados que pouco contribuem para uma decisão clínica.

Um cuidado que começa antes da urgência

Muitas vezes, a prevenção começa com queixas aparentemente desconectadas do coração: cansaço persistente, sono ruim, falta de disposição para caminhar, ganho de peso, palpitações ou pressão elevada em consultas ocasionais. Nenhum desses sinais confirma infarto, mas eles podem ser uma oportunidade de olhar para a saúde cardiovascular com mais atenção.

Cada tratamento é único porque cada paciente é única. Reconhecer os próprios sintomas, conhecer os fatores de risco e manter acompanhamento não é viver em alerta constante. É criar condições para que o coração seja cuidado antes que precise pedir socorro de forma urgente.



Dra Priscila Mimary

CRM 124.776

Consultório: Av Iraí, 75 - cj 25B Moema

Tel: 11 98612-9285


Dr Abrão Cury

Cardiologista e clínica médica

CRM 31.165

Consultório: Rua Abílio Soares, 250, 3⁰ andar

Tel: 11 99625-0508

 
 
 

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🇧🇷 CRM-SP 124776 | RQE Nº: 122476 Clínica Médica | 🇵🇹 OM 82.626

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